Artigos, notícias e opiniões
Reflexões e conteúdos da equipe Arandu sobre educação, saúde, assistência social, segurança pública e direitos humanos.
Artigo
Direitos Humanos e direitos da criança com deficiência: inclusão,acessibilidade e combate ao capacitismo
O texto destaca que toda criança é sujeito de direitos, independentemente de suas condições físicas, sensoriais, intelectuais ou de comunicação. Com base na Constituição Federal de 1988, no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e na Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, defende que a inclusão escolar e social exige a superação da segregação, a eliminação de barreiras físicas, comunicacionais, pedagógicas, sensoriais e atitudinais, além da oferta de recursos e adaptações que garantam a participação plena de todas as crianças. O texto enfatiza que igualdade não significa tratar todos da mesma maneira, mas reconhecer necessidades específicas para assegurar direitos iguais. Nesse sentido, combater o capacitismo — expresso em preconceitos, discriminações e expectativas reduzidas em relação às pessoas com deficiência — é uma responsabilidade coletiva que envolve famílias, escolas, poder público e sociedade. A convivência com a diversidade desde a infância contribui para a formação de cidadãos mais solidários, respeitosos e comprometidos com a democracia, reafirmando que a inclusão não é favor ou privilégio, mas um direito fundamental e um dever de toda a sociedade.
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OFICINAS DE BRINCAR: CUIDAR DA CRIANÇA EM SOFRIMENTO NA ESCOLA
O texto apresenta uma experiência de extensão universitária ocorrida entre 2015 e 2017 no âmbito do Programa de Articuladores Comunitários, com o objetivo de compreender e qualificar as demandas psicossociais de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. A experiência superou a lógica de encaminhamentos individuais para serviços de Psicologia, propondo uma compreensão ampliada do sofrimento infantil e juvenil, relacionada às condições familiares, escolares, sociais e comunitárias. Por meio do Projeto Psicologia na Escola e na Comunidade, foram desenvolvidas ações como as Oficinas de Brincar, espaços de acolhimento e escuta, oficinas de socialização das práticas, coletivos de educação permanente e articulação com a Rede de Atenção Psicossocial. O brincar foi utilizado como recurso de expressão e convivência, contribuindo para evitar a rotulação e a patologização de comportamentos. Ao mesmo tempo, o projeto reconheceu a necessidade de cuidar dos próprios professores articuladores, oferecendo-lhes espaços de escuta, formação e reflexão sobre as situações vivenciadas. O projeto demonstra que cuidar da criança em sofrimento exige uma rede coletiva, interdisciplinar e intersetorial de cuidado, na qual universidade, Educação, Saúde, Assistência Social, famílias e comunidade compartilham responsabilidades. A principal contribuição da experiência foi construir um olhar ampliado sobre o sofrimento, fortalecer as redes de proteção, humanizar as práticas escolares e promover uma formação profissional mais crítica, ética e socialmente comprometida.
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Artigo
O papel dos homens no combate à violência contra as mulheres
O combate à violência contra as mulheres exige também a participação ativa dos homens, pois essa violência está relacionada a desigualdades de gênero e a padrões culturais que naturalizam o domínio, o controle e a desvalorização das mulheres. Diante da gravidade do problema, os homens precisam reconhecer sua responsabilidade, rever atitudes e comportamentos, questionar práticas abusivas e modelos de masculinidade baseados na força e no controle, além de intervir diante de situações de violência e contribuir para a educação das novas gerações baseada no respeito, na igualdade e na empatia. Embora avanços legais, como a Lei Maria da Penha, sejam fundamentais, a transformação depende também de mudanças culturais e do engajamento coletivo. Portanto, o papel dos homens não deve ser o de simples observadores ou de quem “ajuda” as mulheres, mas de sujeitos responsáveis pela construção de relações mais respeitosas, igualitárias e livres de violência.
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Artigo
A ATUAÇÃO DO EDUCADOR NAS PRÁTICAS SOCIOEDUCATIVAS NO CONTEXTO DA CRISE DE AUTORIDADE
A discussãosobre a autoridade constitui uma questão central para compreender os desafiosda educação e das práticas socioeducativas dirigidas a adolescentes emcumprimento de medidas socioeducativas. Longe de se confundir comautoritarismo, violência ou simples exercício de poder, a autoridade educativapressupõe uma relação assimétrica e, simultaneamente, fundada no reconhecimentoda legitimidade daquele que ocupa a posição de educador. O presente textoproblematiza a atuação dos educadores em unidades socioeducativas a partir dascontribuições de Hannah Arendt, Paulo Freire, Michel Foucault, Philippe Meirieu,Bernard Charlot, Yves de La Taille, Guirado e Aquino, articulando-as aoEstatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e ao Sistema Nacional de AtendimentoSocioeducativo (SINASE). Sustenta-se que a crise contemporânea da autoridadenão deve ser respondida pela ampliação dos dispositivos de controle, mas pelareconstrução do vínculo educativo e pela criação de condições para que oadolescente desenvolva uma relação significativa com o saber, com o outro econsigo mesmo. Nesse sentido, a socioeducação deve ultrapassar a lógica dacontenção e da punição para afirmar-se como espaço de responsabilização,proteção, educação, participação e reconstrução de projetos de vida.
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Artigo
CUIDAR DE QUEM CUIDA: FORMAÇÃO PERMANENTE EM GESTÃO DE COLETIVOS
O presente artigo discute a importância do cuidado com gestores e gestoras no contexto da gestão democrática da educação pública. Parte-se da compreensão de que a escola é um espaço coletivo, marcado pela diversidade de sujeitos, relações interpessoais, conflitos, afetos, responsabilidades e diferentes formas de participação. Nesse contexto, o exercício da gestão escolar ultrapassa as dimensões administrativa, técnica e pedagógica, exigindo competências relacionais, sociais, emocionais e políticas. O texto destaca os desafios enfrentados especialmente por profissionais em sua primeira experiência de gestão, como dificuldades de comunicação, mediação de conflitos, resistência às mudanças, sobrecarga e sentimentos de isolamento. Defende-se, assim, a construção de uma política permanente de “cuidado de quem cuida”, baseada na escuta, no acolhimento, no diálogo, na convivência, na formação continuada e na reflexão sobre a prática. A proposta metodológica fundamenta-se na perspectiva participativa e na práxis, valorizando os saberes e experiências dos próprios gestores como fontes de produção coletiva de conhecimento. As oficinas e os processos grupais são apresentados como dispositivos pedagógicos e psicossociais capazes de articular experiência, reflexão, afetividade e conhecimento, favorecendo a construção de vínculos, a mediação de conflitos e o desenvolvimento da autonomia profissional. O artigo também enfatiza que o cuidado não deve ser compreendido como responsabilidade individual do gestor, mas como dimensão institucional e coletiva relacionada às condições de trabalho, às relações de poder e às políticas educacionais. Conclui-se que cuidar de quem cuida significa fortalecer a própria escola e construir condições para uma gestão democrática, dialógica, participativa e humanizada.
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Opinião
Educação domiciliar: o que está em jogo quando a escola deixa de ser um direito de todos?
O debate sobre o homeschooling ultrapassa a escolha da família sobre onde educar seus filhos e envolve questões de democracia, diversidade, proteção da infância, igualdade de oportunidades e projeto de sociedade. Embora seus defensores reivindiquem maior liberdade familiar e apontem problemas da escola, é fundamental reconhecer que a escola não apenas transmite conhecimentos, mas também promove convivência com a diversidade, formação cidadã, diálogo, respeito aos direitos e aprendizagem da vida coletiva. A educação domiciliar pode aprofundar desigualdades, pois nem todas as famílias possuem as mesmas condições materiais e culturais para garantir uma formação ampla. Por isso, a crítica aos problemas da escola brasileira deve resultar em seu fortalecimento e transformação, e não em seu abandono. Defender a escola pública significa defender o direito de todas as crianças e adolescentes ao conhecimento, à proteção, à convivência democrática e à igualdade de oportunidades, fortalecendo, ao mesmo tempo, a parceria entre família, escola e comunidade.
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Artigo
Violência nas escolas e a construção de uma cultura de diálogo: a proposta do ConFIAR
A violência no ambiente escolar é um fenômeno social complexo, relacionado a desigualdades, preconceitos, conflitos e outras formas de violência presentes na sociedade, não podendo ser enfrentado apenas com vigilância e punição. Nesse contexto, a proposta ConFIAR – Núcleo de Mediação de Conflitos, desenvolvida no âmbito da Secretaria de Educação e Cultura de Contagem (MG), busca fortalecer a escola como espaço de proteção, diálogo, pertencimento e convivência democrática, por meio da formação de mediadores, da participação da comunidade escolar, de práticas restaurativas, círculos de diálogo e articulação com uma rede intersetorial de apoio. Com formação teórica e prática de 40 horas, os núcleos pretendem desenvolver escuta, empatia, autonomia, responsabilidade e capacidade de negociação, além de acompanhar e avaliar os conflitos e seus resultados. A proposta parte da compreensão de que a segurança escolar também se constrói pela confiança e pela participação coletiva, transformando a mediação em uma ferramenta pedagógica para educar para a convivência, a democracia e uma cultura de paz.
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Artigo
Trabalhadores da educação em conflito: mapeando laços e vínculos no interior da escola.
O artigo descreve uma intervenção psicossocial realizada em uma escola da Região Metropolitana de Belo Horizonte, marcada por conflitos e divisões entre trabalhadores da educação após a eleição da direção em 2022, o que afetou as relações interpessoais, a gestão democrática e o ambiente escolar. Diante desse cenário, foi desenvolvida, em 2024, uma oficina psicossocial com o objetivo de promover escuta, reflexão crítica e construção coletiva de estratégias para enfrentamento dos conflitos, estruturada em atividades como “A quem convidaria?” e “Mapa de Desafios e Possibilidades”, que estimularam a análise das relações de confiança, convivência e corresponsabilização. A experiência evidenciou a importância do diálogo e da participação coletiva na construção de uma gestão mais democrática, funcionando como espaço de expressão e reconhecimento das tensões existentes, e resultando na sistematização dos dados para subsidiar ações futuras voltadas à melhoria das relações de trabalho e do clima escolar.
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Artigo
Educação na era da IA: por que a China eliminou 12 mil cursos e o que isso revela sobre o futuro do trabalho.
O avanço acelerado da inteligência artificial está impondo um desafio urgente para governos, organizações e instituições globais e vem provo…
Ler artigo →Metodologia participativa na prática: por que o diálogo transforma processos de formação
Entenda como a metodologia participativa, inspirada em Paulo Freire, fortalece processos de formação continuada em educação, saúde e assistência social.
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