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O papel dos homens no combate à violência contra as mulheres

30 de setembro de 2026 · Por Equipe Arandu
O papel dos homens no combate à violência contra as mulheres

Falar sobre o combate à violência contra as mulheres é, necessariamente,falar também sobre o papel dos homens nessa transformação. Durante muito tempo,esse debate foi tratado como uma pauta exclusiva das mulheres — e não poderiaser diferente, já que são elas as principais vítimas. No entanto, é fundamentalreconhecer que a mudança estrutural dessa realidade passa, inevitavelmente,pela participação ativa dos homens. A violência contra as mulheres não surge deforma isolada. Ela é fruto de uma construção social marcada por desigualdadesde gênero, por padrões culturais que naturalizam o domínio masculino esilenciam comportamentos abusivos. Nesse contexto, os homens não podem ocuparapenas o lugar de observadores; precisam assumir responsabilidade como agentesde mudança.

 

Os dados ajudam a dimensionar a gravidade do problema. Segundo o FórumBrasileiro de Segurança Pública, o Brasil registra milhares de casos deviolência doméstica todos os anos, e, apenas em 2023, mais de 1.400 mulheresforam vítimas de feminicídio. Isso significa, na prática, que uma mulher émorta no país a cada poucas horas pelo simples fato de ser mulher. Em âmbitoglobal, a Organização Mundial da Saúde estima que cerca de 1 em cada 3 mulheresno mundo já sofreu violência física ou sexual ao longo da vida. Já a ONUMulheres aponta que a maior parte dessas violências ocorre no ambientedoméstico e é praticada por parceiros ou ex-parceiros.Esses números evidenciamque a violência contra as mulheres não é um problema isolado, mas estrutural,enraizado em desigualdades históricas de gênero. Nesse contexto, os homens nãopodem ocupar apenas o lugar de observadores; precisam assumir responsabilidadecomo agentes de mudança.

 

O primeiro passo é o reconhecimento. Reconhecer que o problema existe,que é grave e que está presente em diferentes espaços — dentro de casa, notrabalho, nas ruas e até mesmo nas relações mais próximas. Também é necessárioreconhecer privilégios historicamente construídos, que muitas vezes passamdespercebidos, mas que contribuem para a manutenção dessas desigualdades.

Estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada mostram que normassociais que reforçam a superioridade masculina ainda influenciam comportamentose justificativas para a violência.

 

O segundo passo é a revisão de atitudes. Combater a violência contra asmulheres não se limita a não praticar agressões físicas. Envolve questionarpiadas, comentários e comportamentos que reforçam a objetificação e adesvalorização das mulheres. Envolve também repensar modelos de masculinidadebaseados na força, no controle e na negação das emoções. Segundo pesquisas do InstitutoDatafolha, uma parcela significativa da população ainda relativizacomportamentos abusivos, como ciúmes excessivo e controle, o que demonstra anecessidade de transformação cultural mais profunda.

 

Outro ponto fundamental é a intervenção. O silêncio diante de situaçõesde violência também sustenta o problema. Homens precisam se posicionar, seja aopresenciar uma situação de desrespeito, seja ao ouvir relatos de atitudesabusivas. Isso exige coragem, mas é um passo essencial para romper ciclos deviolência. Iniciativas como a campanha global HeForShe reforçam a importânciado engajamento masculino como estratégia central para enfrentar a desigualdadede gênero.

 

Além disso, é importante destacar o papel da educação. Homens têmresponsabilidade na formação das próximas gerações, seja como pais, educadoresou referências sociais. Ensinar respeito, igualdade e empatia desde cedo é umadas formas mais eficazes de prevenção. Dados da UNESCO indicam que programaseducativos voltados para igualdade de gênero reduzem significativamentecomportamentos violentos ao longo do tempo, especialmente quando aplicadosdesde a infância.

 

Por fim, o engajamento coletivo é indispensável. Participar de campanhas,apoiar políticas públicas e promover espaços de diálogo são ações que ampliam oalcance dessa luta. O enfrentamento à violência contra as mulheres não é umatarefa individual, mas um compromisso social. No Brasil, avanços legaisimportantes foram conquistados, como a Lei Maria da Penha, que se tornoureferência internacional no enfrentamento à violência doméstica. No entanto,especialistas apontam que a legislação, por si só, não é suficiente sem mudançacultural e engajamento social. O primeiro passo é o reconhecimento. Reconhecerque o problema existe, que é grave e que atravessa diferentes espaços sociais. Tambémé necessário reconhecer privilégios historicamente construídos.

 

Finalmente, é importante reconhecer que não se trata de “ajudar” asmulheres, mas de assumir a responsabilidade em transformar uma realidade quetambém é construída pelos homens. O combate à violência de gênero só seráefetivo quando houver uma mudança profunda de mentalidade e comportamento. Portanto,o papel dos homens não é secundário — é essencial. É preciso sair da posição deneutralidade e assumir um compromisso ativo com o respeito, a justiça e aigualdade.

 "A Campanha do Laço Branco é um movimento internacional que mobiliza os homens no engajamento pelo fim da violência contra as mulheres."

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